ISLÃ EM FOCO II: AS MULHERES SEGUNDO O LIVRO SAGRADO – ALCORÃO – Gabriel Silva – Artigos

“Parece haver duas vozes distintas dentro do Islã, e duas compreensões de gênero que competem entre si” Leila Ahmed – professora de direito islâmico e feminismo.
Gabriel Silva (*)

Quando o assunto é religião, a interpretação recomenda ao/a leitor (a) e/ou escritor (a) que usem da prudência para se emitir qualquer opinião no sentido litúrgico ou dogmático de uma religião. Desta forma, outro aspecto importante que deve ser levado em consideração: distinção entre a espiritualidade e política das religiões.


O Estado deve estar separado da religião em qualquer esfera e, assim, verifica-se que é conveniente aos países de influência islâmica manter uma interpretação patriarcal do Alcorão no que se refere a delegar a mulher uma inferioridade indevida para manter a hegemonia masculina.


O Alcorão reserva a 4ª Surata com 176 versículos para a mulher assim vale destacar que no primeiro artigo o Livro Sagrado proclama a igualdade entre homens e mulheres. O profeta, antes da morte, declarou que “Allah é justo” e dito isso cabe uma indagação: Se Allah é justo, promover a desigualdade entre homens e mulheres e alçar o masculino a dominador não seria incoerente? A resposta fica clara em ambas as esferas política e espiritualidade.


O fato é que a religião islâmica, no decorrer da História, expõe uma preocupação, no que tange à espiritualidade e à sociedade, em resguardar a mulher porque esta era mal vista, pouco valorizada e passível de violência sexual impunível.

Entrementes, com a formação do Islã a mulher foi valorizada e ficou estabelecido o uso do véu – Al hijab – Surata 33ª versículo 59 – como proteção à mulher para salvaguardá-la, na religião, e em sociedade – Surata 4ª versículos 15 e 16 – estabelecem-se medidas para impedir a difamação da mulher e garantir iguais punições se homem ou mulher incorrer em adultério.


Os movimentos feministas árabes que buscam a igualdade conferida pelo Alcorão, ou seja, pela religião, e negada pela interpretação, isto é, pela política, não desejam pisar ou menosprezar a religião e o Profeta, como são acusadas, pois, essas mulheres seguem as justas regras do Alcorão mostrando respeito ao Islã.


O Livro Sagrado fala em outros versículos da 4ª Surata sobre herança, dote, divórcio, enfim, uma gama de proteção social à mulher para que esta não seja, em nenhum momento, inferior ao homem em sociedade e espiritualidade. Verifica-se que o islã, em comparação à visão Ocidental, dá às mulheres muçulmanas mais segurança e liberdade para que elas vivam bem no âmbito social.


Como diz o jornalista diplomado e professor Sério Barbosa “Quem sobreviver vai saber!!”.


(*) Historiador diplomado pela UNIFAI/Adamantinas..