Requerimento aprovado por unanimidade cobra esclarecimentos ao prefeito de Adamantina sobre declarações no rádio

Requerimento aprovado por unanimidade cobra esclarecimentos ao prefeito sobre declarações no rádio. O site Siga Mais publicou o áudio da entrevista.


A cidadãos ou a vereadores, prefeito chamou de “cabra safado e moleque vagabundo”.
A primeira sessão legislativa ordinária do ano, com a nova formação da Câmara Municipal de Adamantina, nesta segunda-feira (8) foi marcada pela apresentação do Requerimento Nº 010/21, de autoria dos vereadores Rafael Pacheco, Alcio Ikeda e Antônio Leôncio da Silva (Bigode da Capoeira), todos do Podemos, onde pedem ao prefeito Márcio Cardim explicações sobre as declarações dadas por ele em uma emissora de rádio da cidade, durante uma entrevista.


O Requerimento foi aprovado por unanimidade, inclusive como voto dos três vereadores do DEM, partido do prefeito. Agora, o documento é encaminhado ao chefe do poder executivo, que tem 10 dias para responder.


Sem citar nomes no rádio, de acordo com o Requerimento, Márcio Cardim teria se referido a terceiros usando expressões como “Cabra safado e moleque vagabundo” e criticado quem usa as redes sociais para postar as atividades políticas. Aliás, essa questão sobre uso de redes sociais foi inclusive pontuada em uma reunião realizada pelo prefeito, vereadores e parte do secretariado em seu gabinete, no dia 13 de janeiro, segundo revelaram fontes ouvidas pelo SIGA MAIS.


De acordo com o Requerimento, a entrevista dada pelo prefeito, no rádio, foi no dia 26 de janeiro último, e coincide com a apresentação de pedido formalizado pelos três vereadores, no dia anterior e endereçado ao poder executivo, onde os parlamentares buscavam informações sobre a dinâmica de vacinação contra a Covid-19 na cidade.


Silêncio
Na terça-feira (10), dia seguinte à Sessão, às 11h13, o SIGA MAIS enviou um e-mail para o endereço eletrônico imprensa@adamantina.sp.gov.br, solicitando a posição do prefeito sobre o tema reclamado pelos vereadores, descrito no Requerimento. Até o fechamento e publicação do conteúdo, nesta quinta-feira (11), nossa redação não recebeu resposta.

Críticas foram a algum morador ou vereador?
Na tribuna da Câmara Municipal, os vereadores usaram do espaço das explicações pessoais para detalhar o tema e manifestarem suas posições (assista). O primeiro a falar foi o Bigode da Capoeira. “Fiquei muito chateado de ouvir essa palavra, de uma pessoa muito estudada, autoridade maior da cidade. Não sei se foi para nós. Mas de certa forma o senhor ofendeu”, disse. “Ofensa que a gente não esperava por parte de uma autoridade”, completou.


Em sua fala, Bigode pontuou pontos que foram fiscalizados nesses seus primeiros dias de mandato, e exemplificou sobre questões de reparos no reboco da laje em uma sala do posto de saúde na Rua Nove de Julho, que impediam o funcionamento do espaço, e sujeira na cidade. “Antes de chamar de vagabundo, é preciso corrigir em casa, antes de levar pra rua”, afirmou.
Em seguida, Rafael Pacheco usou a tribuna. “A quem será que o senhor prefeito se referiu? Foi a algum munícipe ou a algum membro dessa Casa. É isso que queremos saber”, questionou. “Mas temos motivos a acreditar que o senhor prefeito se referiu a membros dessa Casa. Se assim foi, vamos estudar juridicamente a possibilidade de, dentro da lei, tomar as medidas legais”, falou.

Rafael citou o inciso III do Artigo 82 da Lei Orgânica do Município de Adamantina, que trata dos deveres do prefeito, entre os quais, “III – tratar com dignidade o Legislativo Municipal, colaborando para o seu bom funcionamento e respeitando seus membros”. “Espero realmente que tenha havido um equívoco do senhor prefeito. Mas temos a acreditar que o prefeito descumpriu a lei”, observou.


Segundo Rafael, um dia antes das declarações do prefeito, no rádio, ele, Bigode e Alcio formalizaram um ofício dirigido à administração municipal pedindo explicações sobre procedimentos ligados à vacinação contra a Covid-19 na cidade. “Nosso objetivo era buscar transparência. Por isso também postamos um vídeo nas redes sociais”, explicou.


No dia seguinte, no rádio, falando sobre vacinação, ocorreram as declarações do prefeito. “Ele disse: O cabra tem que ser homem. Se ele tiver coragem fala na frente. Não ficar se escondendo atrás de redes sociais e por trás de ofícios. Coisas de cabra safado e moleque vagabundo”, detalhou Rafael. “Agora pergunto: será que cumprir nosso dever é coisa de caba safado e moleque vagabundo?

Vamos inverter a situação: e se fosse um de nós, dessa Casa, se referir ao senhor prefeito de cabra safado e moleque vagabundo, o que será que aconteceria?


Vamos aguardar a resposta do senhor prefeito, mas se for necessário, abriremos dentro da lei um processo de cassação, se assim for preciso”, declarou. “Não seremos intimidados por ninguém porque trabalhamos ao lado do povo”, finalizou.

Pior exemplo possível de como um político deve agir
A fala dos vereadores estreantes foi endossada pelo vereador Alcio Ikeda, também autor do Requerimento com pedido de explicações.


“Ressalto tudo o que foi falado pelos colegas Bigode e Pacheco. Não dá para acusar a quem a pessoa se referiu. Mas um chefe de governo, que representa o município, ir a uma rádio e chamar qualquer pessoa que seja, seja vereador ou munícipe, de moleque vagabundo, é extremamente questionável”, disse. “Independente do estudo, da graduação, nenhum membro dessa Casa faria algo do tipo. Eu particularmente nunca usei esse termo em momento algum. Eu nunca precisei baixar o nível utilizando desse tipo de palavra”, continuou.


Alcio definiu a fala no rádio como lamentável. “Independente pra quem foi, isso aí deve ser explicado. Não é ir no cantinho das lamentações, qualquer que seja o meio de comunicação, e sair xingando todo mundo, maltratando seja lá quem for, utilizando das piores palavras possíveis, do pior exemplo possível de como um político deve agir. Foi lamentável, extremamente lamentável, independente de qual foi a situação”.


Ele ressaltou que nesses primeiros dias de mandato a bancada do Podemos expediu 25 ofícios sobre temas diversos, como pedidos de limpeza, informações sobre cemitério, casas populares e unidades de saúde. “O Bigode foi à noite ver as casas populares do Itamarati. É vagabundo? Foi visitar postos de saúde e Santa Casa. É vagabundo? Nossos pedidos são solicitações da própria população”, afirmou. “Eu quero ter a convicção de que não foi para nós.

Não é assim que funciona. E isso deve ter esclarecimentos. Como está no começo, que essas arestas sejam todas aparadas”, continuou.lcio encerrou sua fala destacando que o trabalho a campo, e no plenário, é da própria atividade parlamentar, e que as redes sociais permitem conectar os cidadãos aos políticos e vice-versa. “Estamos fazendo a nossa função de parlamentar. As redes sociais estão a aí para serem utilizadas. É por meio delas que a população conversa, comunica. Deve ser um meio de utilização”.


Ao final, ele cobrou maturidade. “Político é eleito para ser cobrado. E quando é cobrado precisa se adequar a isso. Não existe monarquia. Existe um legislativo com vereadores independes, imparciais e com posturas que devem ser respeitadas”, encerrou.

Fonte – Siga Mais